Fica horas inteiras sem entediar-se olhando plantas bem cuidadas, cenários de suas histórias. Vê tartarugas desnutridas, formigas mortas e caracóis perdidos e chora, porque tudo parece tão triste, o sofrimento daquela criatura esfomeada é dela, que esquecera de alimentar o animal. As flores amarelas caídas na calçada dão um ar de graça, aqui o tempo passa muito devagar. Os gatos esparramados e preguiçosos, ela ri, ama aquelas criaturas. O Sol das dez da manhã queima de leve o corpo desajeitado e quase nú, e cega os olhos que ela aperta bem até chegar à buganville crescida entre o muro e a garagem, onde pode enxergar tudo muito bem, à sombra devassada por apenas uns raios luminosos, que com os braços estendidos pintam a pele de bolinhas. Quando olha assim pra cima, o teto de flores cor-de-rosa é coisa mais linda que já viu, sente coisas que não conseguiria explicar nem depois de muitos anos, quando isto seria apenas mais uma lembrança confusa, não sabendo se realidade, sonho, imaginação. Fato é que agora, ela sente que está mais próxima do azul muito alto do céu, os feixes de luz que chegam até seu corpo por entre pétalas e folhas a deixam leve, como se dormisse, mas está acordada e muito sã. Então levanta devagar os braços, não sabe por que, mas sente o ar que envolve o seu corpo, parece muito pesado, acha engraçado, mas não ri. Sente que pode tirar do chão também as pernas, uma depois a outra. Não entende se seus movimentos é que estão lentos, se o tempo está passando mais devagar ou o peso da matéria ou qualquer outra grandeza das leis da física que mudou ao seu redor, mas sabe que muito lentamente agora, sues pés não tocam o chão e os braços esticados equilibram o pequeno corpo, que flutua. Os raios de Sol envolvem todo o seu entorno e parecem poder penetrar a pele, porque se sente quente por dentro, adrenalina contida de criança, sorri, calma, sente o éter. Paira um pouco sobre o ar, sente-se leve sob este mar de atmosferas sobrepostas onde tudo é devagar. E parece que tudo é sonho, talvez por isto as dúvidas posteriores. A mistura do pensar e do agir, a imaginação e a realidade indissociáveis mais. A loucura, a leveza: presentes para sempre, até os dias de agora.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Segredos.
O vento leva e traz meus cabelos e sei que é triste porque chora aos meus ouvidos. A luz antes brilhante me guiava, agora, opaca confunde. Me perdi em algum momento dos caminhos do Pai e tento me achar nos caminhos da Mãe. As raízes que deveriam prender-me são fracas, tudo o que aprendi até agora me é inútil. Me diz coisas tão tristes à medida que as minhas lágrimas descem lavando meu corpo, choro para fora, de dentro. Os poucos raios de Sol que furam as copas das árvores e chegam até meu rosto que continua imóvel, calmo e triste, não são suficientes para me iluminar agora. Uma hora é preciso sair de dentro de si e ver como é que se vive. Tudo muito devagar, meu corpo não responde mais tão bem. Sofri. Só a mente é rápida, pensamentos na velocidade do pulsar da terra debaixo dos meus pés. Fluxos energéticos como pregos furando minh'alma. Porquês infinitos na mente. Louca, insana, perdeu-se onde deveria se encontrar. Julgamentos eternos vou ter de passar, que o agora me faz querer a morte; e a morte tem dessas coisas.
domingo, 18 de julho de 2010
não da última vez
me beija please please please tira devagar minha saia com seu jeito de cara de todos os lugares do mundo e de nenhum que já fez isso no alabama e nos andes mas não ligue se as cores brilhantes que você viu não se repetem hoje aqui é porque as coisas são diferentes mesmo essa é a idéia você pode até se acostumar com meu cheiro de erva e de interior porque se faz mais de mês já reconheço tua pele no meio de outras que também tenho prazer em tocar mesmo na sua frente e te olhar pensando em dormir com você daqui a pouco e dançar na luz vermelha que lembra minha infância de desejos trancados no banheiro e agora que eu vivo me sinto e sei que todo o meu corpo também pensa que nessa noite não eu não vou deixar de ser feliz e insana porque não é toda noite que ouço Janis e tem tanta gente bonita em volta e aquele cara tá me olhando tão de perto e é tão bonito e eu sinto tanto tesão e quando olho pro céu que mostra a lua crescente minha perferida percebo que o tempo é agora e me sinto livre pra correr pra perto rir de dentro viver pra frente e se te olho dá um arrepio e penso em ir correndo e beijar a sua boca e repetir você é lindo demais porque é verdade e te trazer aqui pra dentro pra me ouvir dizer pra você como foi que eu esperei tanto tempo pra falar com essa voz louca me come querido porque é isso que eu quero que você faça vai fundo e então ouço o que você me diz e viro e faço o que você pediu porque é assim que eu gosto também acho que eu te disse parece que a gente é bicho tudo tão apertado e bonito e real e eu tenho vontade de gritar porque parece que você entende o que é viver o momento de sentir tua carne entrando na minha e que é de verdade não é sonho e eu gosto tanto de me sentir e te sentir e se eu não estivesse tão bêbada talvez eu sentisse meus movimentos mais sincronizados com os meus pensamentos que deslizam de leve o meu corpo sobre o seu e eu rio tanto porque é isso e eu não consigo dizer se é só amor sexo ou paixão e não importa porque depois dos sonhos penso em fazer tudo de novo porque você é tão legal e eu tô gostando tanto tanto tanto de você e porque eu sou mesmo meio insaciável e adoro essa coisa de dormir junto e sem querer começar mais uma vez a te provocar e não ligar ao depois ver que todo mundo estava olhando e dessa vez sim eu era uma louca despreocupada e talvez irresponsável e só porque eu tava era vivendo o que eu queria
Palavras-chave:
amor,
drogas,
liberdade,
relacionamentos,
sentimentos,
sexo
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Não sobreviva.
Um corpo humano demais, um gosto amargo de tão azul por dentro. Feio, porque não acredita na beleza. Chore de uma vez e me mostre o que esconderam em você. Não seja medíocre. Não seja medíocre. Não seja medíocre. Não. Tenho que me lembrar disso todos os dias. E viver um velho amor, um grande amor ou um novo. Não estou te pedindo nada, mas me deixe só, quero ficar só, chorar só, morrer talvez. Depois de um dia inteiro sem luz, sem música, sem rir. Os dias seguintes não, chega de dias mortos. Vive hoje então. Mas o seu corpo ainda assim não tomou forma. Conhece os outros, pelamordedeus. Beija tua menina e vai. Ninguém vai te dizer como agir, o que sentir. Seja forte, vai doer. Tudo o que eu queria era sentir de novo dor. É de amor que choro agora, é da dor que rio. Dói muito viver. Existe vida, meu menino.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Natureza vingará seus filhos.
Essa tua obsessão por limpeza e tanta sujeira dentro da própria cabeça. Quem foi que lavou tuas mãos "sujas" de terra e colocou coisas podres nas tuas idéias? O mato que nasce do chão e eu mastigo, me nutre. É mais limpo que o prato que pões em tua mesa: está cheio de sangue daqueles infelizes inocentes indefesos. Então cuspo de nojo das tuas boas maneiras, do teu jeito egoísta de dizer que fazes isto por direito. Que tipo de inteligência é esta que não vê tantas contradições óbvias?
Pensa que a terra é nada. Pensa que o homem é tudo.
Pensa em tudo errado e quer discutir o futuro.
Transforma tua mente, revê tuas certezas, refaz teus conceitos. Aprende o teu lugar no mundo. Se o direito é do mais evoluído, teu não é, tu verás de perto:
o cinza desaparecendo,
o verde tomando tudo,
a Terra voltando à vida!
E perceberás já tarde, que tua vida é nada, teus feitos nem virarão história, é chegada enfim, a hora de tua morte.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Mais de ser livre e de amor.
Sinto-me agora desordenada
Eu não sou só instinto e carne
E se é liberdade o que eu mais quero,
Preciso ser mais do que Terra.
Mas estou perdida no meu mundo
de vontades delirantes.
E essa confusão estranha
de não saber o que eu sinto
e minha natureza ser mistério...
Mas eu sei o que não quero:
Perder o amor que sempre quis.
Por egoísmo, liberdades,
e mais tarde na escuridão
só conseguir ver meu vazio.
Por que não me sinto bem,
se o seu amor me deixa livre,
e é liberdade o que eu mais quero?
Ser de todos é bem mais:
não basta um dia tê-los perto.
Amor não pode ter limites.
Que sejam então todos mais livres!
Ninguém pode ser dono
das liberdades alheias.
Mas ainda te quero comigo.
E não duvide do meu amor
por você: forte e verdadeiro
pelos outros também, mas passageiro.
E vários amores trarão felicidade, o amor trará!
Palavras-chave:
amor,
liberdade,
poesia,
relacionamentos,
sentimentos
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