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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

não-linguagem.

Não me pressione pra dizer o que eu não sei expressar assim, e ser obrigada a ser razão e aceitar: que o tempo passa, e que a dor existe - se não sei, sinto. Não quero admitir, se eu disser vai acabar sendo, então não digo.  Mas tente você ler nas entrelinhas, entender das coisas, das artes, minha liberdade, e me ver como outro alguém. Não sei, meu bem, não sei ser. Meu pensamento sem forma nem cor nem palavras nem cheiros nem gostos tenta ser algo que eu possa mostrar pra você, falta a linguagem. A discussão em si é método falho, se escrevo tudo se faz claro. Minha mente que não fala, assim permanece: vazia e calma. Enquanto a tua paciência espera de mim coisas palpáveis, minh'alma voa,  mundos distantes, e é insana e livre, indecifrável. Foge dessa realidade tua, minha. Fura atmosferas pesadas, como teu olhar assim sobre meu olhar, sobre as coisas de dentro de mim. Sobre dentro de mim o teu corpo. E depois do fato feito estático e imutável a palavra que é solta, prende. Não entende, leia mais que os lábios quando falo, leia meus lábios quando te tocam e isso também eu não entendo.

domingo, 15 de agosto de 2010

Um mar de paixão.

Então que tenha sido como um mar aberto tudo isso que tivemos. Lembro de um dia que eu tentava andar pela areia firme, porque sempre tive muito medo de afundar nas areias secas ou de afogar nas águas profundas. Tão grande o mar, se me batem ondas nos pés, sinto medo. Mas nesse dia, suas águas agitadas e verdes como os olhos me seduziram e não tive medo mais. Nadei como nunca antes fiz, mergulhei de cabeça, e senti que era muito melhor e mais quente do que eu esperava, mais revolto do que eu poderia imaginar, e muito, muito difícil de sair. E absolutamente bom. Depois também é bom, olhar pra trás e ver que me deixei sentir as ondas por todo o corpo, a respiração num ritmo novo e uma sensação in-crí-vel de liberdade. Foi bom sair, deitar na areia, descansar e olhar de novo, de fora, com um olhar de quem fez o que queria, enfim viveu. Talvez sinta saudades, mas vou embora, porque as coisas passam, passou, e isso também é bom. E digo que não me arrependo de nada do que senti. De longe, agora, parece descansar um mar tão calmo, e que descanse, porque ainda assim, não deixa de ser bonito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Chorou.

Sentiu o aperto no peito e pensou que depois de muito tempo então choraria. Depois daqueles anos de meses de dias de horas de lágrimas e choros e blues e vermelho-sangue. Associação livre, e que não é livre, ria sozinha ao lembrar que repetia e repetia e ninguém entendia. Que as flores nascem e caem no chão, e as lágimas agora seguiam exemplo, e o riso vinha de dentro, e esvaia-se o pensamento.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Infância.

Fica horas inteiras sem entediar-se olhando plantas bem cuidadas, cenários de suas histórias. Vê tartarugas desnutridas, formigas mortas e caracóis perdidos e chora, porque tudo parece tão triste, o sofrimento daquela criatura esfomeada é dela, que esquecera de alimentar o animal. As flores amarelas caídas na calçada dão um ar de graça, aqui o tempo passa muito devagar. Os gatos esparramados e preguiçosos, ela ri, ama aquelas criaturas. O Sol das dez da manhã queima de leve o corpo desajeitado e quase nú, e cega os olhos que ela aperta bem até chegar à buganville crescida entre o muro e a garagem, onde pode enxergar tudo muito bem, à sombra devassada por apenas uns raios luminosos, que com os braços estendidos pintam a pele de bolinhas. Quando olha assim pra cima, o teto de flores cor-de-rosa é coisa mais linda que já viu, sente coisas que não conseguiria explicar nem depois de muitos anos, quando isto seria apenas mais uma lembrança confusa, não sabendo se realidade, sonho, imaginação. Fato é que agora, ela sente que está mais próxima do azul muito alto do céu, os feixes de luz que chegam até seu corpo por entre pétalas e folhas a deixam leve, como se dormisse, mas está acordada e muito sã. Então levanta devagar os braços, não sabe por que, mas sente o ar que envolve o seu corpo, parece muito pesado, acha engraçado, mas não ri. Sente que pode tirar do chão também as pernas, uma depois a outra. Não entende se seus movimentos é que estão lentos, se o tempo está passando mais devagar ou o peso da matéria ou qualquer outra grandeza das leis da física que mudou ao seu redor, mas sabe que muito lentamente agora, sues pés não tocam o chão e os braços esticados equilibram o pequeno corpo, que flutua. Os raios de Sol envolvem todo o seu entorno e parecem poder penetrar a pele, porque se sente quente por dentro, adrenalina contida de criança, sorri, calma, sente o éter. Paira um pouco sobre o ar, sente-se leve sob este mar de atmosferas sobrepostas onde tudo é devagar. E parece que tudo é sonho, talvez por isto as dúvidas posteriores. A mistura do pensar e do agir, a imaginação e a realidade indissociáveis mais. A loucura, a leveza: presentes para sempre, até os dias de agora.

domingo, 18 de julho de 2010

não da última vez

me beija please please please tira devagar minha saia com seu jeito de cara de todos os lugares do mundo e de nenhum que já fez isso no alabama e nos andes mas não ligue se as cores brilhantes que você viu não se repetem hoje aqui é porque as coisas são diferentes mesmo essa é a idéia você pode até se acostumar com meu cheiro de erva e de interior porque se faz mais de mês já reconheço tua pele no meio de outras que também tenho prazer em tocar mesmo na sua frente e te olhar pensando em dormir com você daqui a pouco e dançar na luz vermelha que lembra minha infância de desejos trancados no banheiro e agora que eu vivo me sinto e sei que todo o meu corpo também pensa que nessa noite não eu não vou deixar de ser feliz e insana porque não é toda noite que ouço Janis e tem tanta gente bonita em volta e aquele cara tá me olhando tão de perto e é tão bonito e eu sinto tanto tesão e quando olho pro céu que mostra a lua crescente minha perferida percebo que o tempo é agora e me sinto livre pra correr pra perto rir de dentro viver pra frente e se te olho dá um arrepio e penso em ir correndo e beijar a sua boca e repetir você é lindo demais porque é verdade e te trazer aqui pra dentro pra me ouvir dizer pra você como foi que eu esperei tanto tempo pra falar com essa voz louca me come querido porque é isso que eu quero que você faça vai fundo e então ouço o que você me diz e viro e faço o que você pediu porque é assim que eu gosto também acho que eu te disse parece que a gente é bicho tudo tão apertado e bonito e real e eu tenho vontade de gritar porque parece que você entende o que é viver o momento de sentir tua carne entrando na minha e que é de verdade não é sonho e eu gosto tanto de me sentir e te sentir e se eu não estivesse tão bêbada talvez eu sentisse meus movimentos mais sincronizados com os meus pensamentos que deslizam de leve o meu corpo sobre o seu e eu rio tanto porque é isso e eu não consigo dizer se é só amor sexo ou paixão e não importa porque depois dos sonhos penso em fazer tudo de novo porque você é tão legal e eu tô gostando tanto tanto tanto de você e porque eu sou mesmo meio insaciável e adoro essa coisa de dormir junto e sem querer começar mais uma vez a te provocar e não ligar ao depois ver que todo mundo estava olhando e dessa vez sim eu era uma louca despreocupada e talvez irresponsável e só porque eu tava era vivendo o que eu queria

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Não sobreviva.

Um corpo humano demais, um gosto amargo de tão azul por dentro. Feio, porque não acredita na beleza. Chore de uma vez e me mostre o que esconderam em você. Não seja medíocre.  Não seja medíocre. Não seja medíocre. Não. Tenho que me lembrar disso todos os dias. E viver um velho amor, um grande amor ou um novo. Não estou te pedindo nada, mas me deixe só, quero ficar só, chorar só, morrer talvez. Depois de um dia inteiro sem luz, sem música, sem rir. Os dias seguintes não, chega de dias mortos. Vive hoje então. Mas o seu corpo ainda assim não tomou forma. Conhece os outros, pelamordedeus. Beija tua menina e vai. Ninguém vai te dizer como agir, o que sentir. Seja forte, vai doer. Tudo o que eu queria era sentir de novo dor. É de amor que choro agora, é da dor que rio. Dói muito viver. Existe vida, meu menino.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais de ser livre e de amor.

Sinto-me agora desordenada
Eu não sou só instinto e carne
E se é liberdade o que eu mais quero,
Preciso ser mais do que Terra.

Mas estou perdida no meu mundo
de vontades delirantes.
E essa confusão estranha
de não saber o que eu sinto
e minha natureza ser mistério...

Mas eu sei o que não quero:
Perder o amor que sempre quis.
Por egoísmo, liberdades,
e mais tarde na escuridão
só conseguir ver meu vazio.

Por que não me sinto bem,
se o seu amor me deixa livre,
e é liberdade o que eu mais quero?
Ser de todos é bem mais:
não basta um dia tê-los perto.

Amor não pode ter limites.
Que sejam então todos mais livres!
Ninguém pode ser dono
das liberdades alheias.

Mas ainda te quero comigo.
E não duvide do meu amor
por você: forte e verdadeiro
pelos outros também, mas passageiro.

E vários amores trarão felicidade, o amor trará!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Efêmero.

Efêmero é aquilo que dura só um dia.
Só - um - dia.

Mas fica na cabeça por muitos dias, muitos dias, muitos dias. . .