me beija please please please tira devagar minha saia com seu jeito de cara de todos os lugares do mundo e de nenhum que já fez isso no alabama e nos andes mas não ligue se as cores brilhantes que você viu não se repetem hoje aqui é porque as coisas são diferentes mesmo essa é a idéia você pode até se acostumar com meu cheiro de erva e de interior porque se faz mais de mês já reconheço tua pele no meio de outras que também tenho prazer em tocar mesmo na sua frente e te olhar pensando em dormir com você daqui a pouco e dançar na luz vermelha que lembra minha infância de desejos trancados no banheiro e agora que eu vivo me sinto e sei que todo o meu corpo também pensa que nessa noite não eu não vou deixar de ser feliz e insana porque não é toda noite que ouço Janis e tem tanta gente bonita em volta e aquele cara tá me olhando tão de perto e é tão bonito e eu sinto tanto tesão e quando olho pro céu que mostra a lua crescente minha perferida percebo que o tempo é agora e me sinto livre pra correr pra perto rir de dentro viver pra frente e se te olho dá um arrepio e penso em ir correndo e beijar a sua boca e repetir você é lindo demais porque é verdade e te trazer aqui pra dentro pra me ouvir dizer pra você como foi que eu esperei tanto tempo pra falar com essa voz louca me come querido porque é isso que eu quero que você faça vai fundo e então ouço o que você me diz e viro e faço o que você pediu porque é assim que eu gosto também acho que eu te disse parece que a gente é bicho tudo tão apertado e bonito e real e eu tenho vontade de gritar porque parece que você entende o que é viver o momento de sentir tua carne entrando na minha e que é de verdade não é sonho e eu gosto tanto de me sentir e te sentir e se eu não estivesse tão bêbada talvez eu sentisse meus movimentos mais sincronizados com os meus pensamentos que deslizam de leve o meu corpo sobre o seu e eu rio tanto porque é isso e eu não consigo dizer se é só amor sexo ou paixão e não importa porque depois dos sonhos penso em fazer tudo de novo porque você é tão legal e eu tô gostando tanto tanto tanto de você e porque eu sou mesmo meio insaciável e adoro essa coisa de dormir junto e sem querer começar mais uma vez a te provocar e não ligar ao depois ver que todo mundo estava olhando e dessa vez sim eu era uma louca despreocupada e talvez irresponsável e só porque eu tava era vivendo o que eu queria
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domingo, 18 de julho de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Outra tentativa de estar em harmonia.
Se quiserem, venham todos: hoje ao menos, sejam livres. Viva você na ilha da realidade. Há música aqui, há vida correndo solta e passando pelos nossos pés, tão inocente. E voando, há cores no céu. Há pessoas, também, enfiadas no mato. Encontre as pessoas e perceba que no meio disso tudo que as nossas mãos não vão ser suficientes para tocar tantos corpos que procuram se entender nesse lençol estendido na grama agora. Os olhares cruzados, três ou mais. As cores tão vivas, chego a pensar que são mais reais, o que faz do meu estado exatamente: real. Os cheiros tão fortes, cheiro que a gente não sente mais por aí: cheiro de gente. As formas dos corpos, peles, pêlos: relevos não convencionais. Tudo isso vai te saciar, assim como a mim. Nossas bocas se tocam em meio aos gemidos histéricos e os risos de felicidade, ah! que prazer que dá. Essa coisa de tocar: as peles se tocam, se esfregam, se apertam todas, corpos se envolvendo, fazendo o que querem fazer. Essa coisa de sentir: na carne, no espírito. Tudo isso causado por essas outras pessoas. Tão estranhas, tão bonitas as pessoas. Só, não haveria harmonia. Os movimentos sincronizados com a guitarra que não pára de chorar e pedir que a gente mergulhe mais fundo nessa onda de insensatez. Uma pausa, uma busca solitária momentânea por outros objetivos. Encontro novas coisas, vivencio. Mais motivos depois de ouvir o crepitar do fogo queimando a erva enquanto trago devagar e sinto a fumaça presa transformar minha vontade de tudo em mais. E saio de uma roda para a outra, dançando de pés pisando sem medo a terra, pessoas cruzando o meu caminho outra vez, o verde ficando cada vez mais brilhante. Não sei porque, só sei que caí, num poço que gira sem parar, de um gosto de sangue doce demais. Posso dizer que vivi. Será a morte, o castigo, o medo, o destino que se faz sentir? E tudo o que eu fiz foi querer o que todo mundo quis: amor & vida.
sábado, 3 de abril de 2010
Luz que me fez preso na minha natureza.
Não que eu não soubesse o efeito que isso podia me causar, mas queria que me fizesse querer viver mais, não nunca mais. E pensar que algo tão natural, simples, pudesse me mostrar a real essência do que o meu ser não era. Mas então me tornar mau. Colher as ervas, pegar a água, preparar o chá. Simples e de consequências sem volta. Eu só queria enxergar mais do que meus olhos foram feitos para ver. Pensando que ver me faria mudar, para melhor, não para agora. Mas ver a aura das criaturas não iluminava também o meu ser, só evidenciava a escuridão opaca na qual eu me encontrava. O que eu não sabia era que ver a luz significava ver também a não-luz, e eu não estava preparado pra me livrar daquilo que impedia que a minha luz brilhasse. E também não aguentava pensar em mim como um ser tão egoísta, pequeno e ruim. E pior do que pensar era que agora, eu podia ver a distância que eu estava deles. Havia momentos de maior desespero, quando eu gritava e chorava sem parar, me sentindo sujo, feio e sozinho demais. Por que não havia ninguém como eu? Acho que passei a um estado diferente, estava ainda no mesmo lugar e era o mesmo, mas só via agora a minha nova realidade, em meio aqueles que há muito tempo, tanto tempo que nem se lembram mais, embora saibam, eram como eu. Enquanto não passava o efeito, e acho que durou meses, eu ficava pensando na minha natureza. E cheguei a pensar que nunca poderia ser como eles. Me via tão longe, mas ainda havia em mim algo que não era totalmente ruim, algo de esperança. Pensava que o tempo me faria sair dali, e que quando isso acontecesse, voltaria a ser como eu era, não importa quão bom ou mau, porque aqueles que estariam comigo eram tão cinzas quanto eu. E então eu voltei, um dia, o mesmo que tinha ido. Mas acho que pensei demais, vi coisas demais, me tornei demais algo que eu não era, ou era e não sabia. Não me transformaria no que eu queria e se sim, sabia que pra isso só havia um caminho: ser, aceitar minha natureza. Mas não quero, me canso, desisto. Acho que o único jeito de me livrar desse sentimento, de querer e não querer ao mesmo tempo nenhuma natureza que não seja minha não chega a ser uma opção, porque a minha realidade me faz refém de mim, mas se for para tentar, então quero tentar não ser, nunca ser, não ser nada, nada mais.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Quando a vida é desalento.
De repente acorda, passa das dez. Porque dormira tanto? Todos os dias as coisas se repetem. Sono demais, comida demais, drogas demais, sexo demais. A bexiga muito cheia, o corpo quer livrar-se daquelas toxinas malditas que injerira ontem à noite e nas noites anteriores e anteriores ainda. Os olhos muito inchados, sabe que ficam assim sempre que chora e depois dorme, como uma criança. As pernas têm novos hematomas. A cabeça latejante, dói. Porque fizera isto consigo mesma? Todos os dias as coisas se repetem. Problemas demais, estresse demais, tristeza demais, solidão demais. A mente cansada concede ao corpo momentos lascivos de prazer. Prazeres de cama e mesa. E engordando, enchendo-se de bebidas e comprimidos, deixando-se levar para camas desconhecidas, chorando e vomitando toda madrugada sozinha é que percebe não estar bem. Será difícil descobrir do que precisa? Todos os dias as coisas se repetem. Acorda, pensando que quer mudar. Dorme, sem conseguir pensar em nada. Sem nenhuma esperança, às vezes tem certos pensamentos. O seu preferido é que um dia não irá mais ver seus olhos inchados no espelho, sentir dor, arrepender-se ou decepcionar-se com o que fizera nas noites anteriores pois, neste dia não irá acordar.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Atmosfera lilás, 1970, incenso, meia-luz e rock.
Totalmente sozinha no meio de gentes desinteressantes. Tão bonita nessa meia-luz que deixa bonita também a fumaça do cigarro que acende e que calmamente leva aos lábios nus. Na vitrola, o disco dos Beatles parece tocar aquela música repetidas vezes especificamente para ela. Sentada assim quase no chão, não fosse pela almofada naturalmente longe das outras, as pernas em posições tão aleatórias e harmonicamente colocadas dobradas, as mãos repousadas, o cigarro em uma delas já acumula a cinza do tempo que foi deixado de lado, muito magra, as calças jeans desbotadas, a blusa de um brechó qualquer, tudo contribui para que seja de todos a mais instigante, depressiva. E atraente. O olhar indecifrável, aos de fora não diz nada: olha para dentro. Tão bonita e triste. Uma atmosfera só dela. Não euforica e falsamente feliz como os outros. Calada, grita pedindo que alguém a salve. Mas não será salva, sabe. E como fosse a última esperança da noite de se ver salva e então livre de si mesma, toma de uma vez o que será suficiente para estar longe dali até o fim das horas da madrugada e da manhã seguintes. A falsa sensação de liberdade vem depressa. O corpo relaxado esparrama-se agora no chão, um esboço do que seria um sorriso, o olhar não mais para dentro, agora para o mundo que se abre à sua frente, o único ao qual tem pertencido, faz tempo.
"I want you, I want you so bad. I want you, I want you so bad. It's driving me mad, it's driving me mad. She's so heavy, heavy, heavy." The Beatles
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