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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rendição

aos teus pés, de joelhos, porque me submeto à tua que é a minha vontade e te cosumo o grito gemido, o peito suado, seu amor e o sentido do corpo cansado, o movimento incessante, o gozo espremido estendido espirrado, entre o espaço que resta do sopro do ar ao meu olho fechado querendo não ver o mundo de fora neste estado de pulsar interno enquanto eu sinto o tempo parado, o momento de ser pleno um homem rendido, ou menino assustado.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sabor

Me mostra de novo o gosto doce da tua baba, que me faz temer cair de tontura, minha cabeça é peso e o meu corpo é pluma, e se entrega àquilo que tu me ensinas ser beijo, eu aprendo contigo e até a razão se torna desejo, de aprender ainda um gosto mais forte, oculto na pele do teu corpo contínuo,  escondido por pêlos, tremendo de querer, sem pausas, sem fôlego,  ver o meu corpo que sem pudor também se mostra inteiro ao dizer o sim que o falar não compreende. É coisa mais viva o que a gente sente, saber o sabor na ponta da língua quente. Mostro minha forma e te tiro as palavras enquanto também me falta o ar. Me entrego à força do abraço que te proibi de me dar mas agora quero sempre, girar modificando o tempo. Quero mais e mais do gosto e do cheiro do fluxo da minha essência e do teu líquido puro que se misturam no momento em que estamos sendo amor pra gerar o que queremos ver crescendo e continuar com as vidas de agora, mas de nunca antes, que não se páram nem perdem, o desperdício é pensar em se. Quero o saber do nós que existe em mim e que sem pudor se satisfaz em si. Somos de um tempo de não saber  existir depois, agora eu sei.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sinto que

meus ouvidos estão entupidos
das palavras que ouço, das mentiras que escuto,
meu peito está cheio
do ódio que sinto, das lágrimas que enxugo,
meus olhos estão secos
do vento que uiva, do ar que passa,
meu pulmão é vazio
de tudo que sopra, da coisa que inspira,
meu ser está morto
das velhas vontades, das verdades que engulo,
minha boca está certa
das linguagens tão retas, dos sintomas mais nulos,
minha mente lateja
as idéias que creio, os medos que crio,
minha pele está seca
dessa água que bebes, dessa tua saliva,
minha boca tem sede
deste teu órgão rijo, desse teu sabor puro,
meu ventre tem vida
a criança indevida, esse filho maduro,
minha mente lamenta
as loucuras que vivo, inconseqüencias que fujo,

a realidade é plena ilusão dos sentidos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Não grito.

Respirar teu sopro antinatural que agora me faz bem, mal, por querer uma natureza de pensar e ser além dos meios, mas a síntese do meu sentir é medo, ou pudor - dos quais abro mão, mais do segundo que do primeiro: mira que as pernas tremem, a paz no corpo que se sacia, mas nunca se basta, há ainda a tentativa do reorgasmo após o gozo, do grito calado rasgado, do torpor do segundo que antecede o segundo esporro, quando os cabelos caem, os braços doem, os fantasmas saem, e ainda que amaciando a carne e o peito, reverbera a última emoção como no começo, mas logo é fim: que se olho em teus olhos há nuvens negras, há mares fundos, há beijos secos, refletidos pelo que há desse seu sincero úmido, o que esperava me dizer ser, mas a superfície de mim é infinita chada, que se estende ao longe, extensa e rasa não muito desliza, preocupada em não tocar a linha onde o céu encontra, é horizonte - esse limite intransponível do lugar donde se ouvem verdades, quase sempre ofensas; não que eu quisesse mentiras, antes de ti eu queria o silêncio, que  para mim é fácil, mas é que há algum tempo eu não me suporto, e hoje por isso, eu queria o grito: mas como sempre covarde, respiro e calo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Celibato.

Pergunte ao teu deus porque a casa da tua fé destruída, só restos, cacos infinitos, pedaços nunca re-encaixáveis. As madeiras corroídas pelas pragas, cultivadas pelas migalhas de ervas que aos domingos tu jogavas sobre teu corpo pra livrar tua natureza sofrida - sempre escrava dos pecados da tua mente e de teu corpo, que à ela se rendia. Ah, porque você sempre tentava ser alguém tão certo aos moldes deles, mas era tão falso quanto as promessas que fazia aos teus santos de madeira, os teus olhos me diziam; nas noites escondidas naquela mesma casa escura, à meia luz das velas acesas para anjos da guarda demoníacos que nos guiavam um ao outro em meio a tantas portas vazias. Era sempre a mesma história: depois de encharcar-se do teu vinho tinto de sangue divino, você queria começar. Teus olhos me olhavam e tua voz, aos meus ouvidos, dessa vez não sussurrava preces. Tu parecias com fome do alimento abençoado e comia a carne do teu cristo, que era eu. Mas logo depois do gozo, a fome se transformava em culpa e peso - que não saía dos teus ombros até o dia das confissões inacabáveis, das orações eternas, dos jejuns infinitos, dos choros desesperados na frente do mar, que não levava as mágoas Iemanjá, porque tu não acreditas nela, só tua virgem santa. Queria ser sempre o pecado que te condena a queimar por dentro eternamente. E que sacode o teu espírito santo cansado de estar preso. Mas se não queres assim, se o meu amor tu ofereces em sacrifício, te digo que viverás a pior das penitências: assistir meu corpo ser livre nos braços de outros que entendem e sabem desta minha natureza que não é mesmo santa... e que não quer ser casta.

domingo, 18 de julho de 2010

não da última vez

me beija please please please tira devagar minha saia com seu jeito de cara de todos os lugares do mundo e de nenhum que já fez isso no alabama e nos andes mas não ligue se as cores brilhantes que você viu não se repetem hoje aqui é porque as coisas são diferentes mesmo essa é a idéia você pode até se acostumar com meu cheiro de erva e de interior porque se faz mais de mês já reconheço tua pele no meio de outras que também tenho prazer em tocar mesmo na sua frente e te olhar pensando em dormir com você daqui a pouco e dançar na luz vermelha que lembra minha infância de desejos trancados no banheiro e agora que eu vivo me sinto e sei que todo o meu corpo também pensa que nessa noite não eu não vou deixar de ser feliz e insana porque não é toda noite que ouço Janis e tem tanta gente bonita em volta e aquele cara tá me olhando tão de perto e é tão bonito e eu sinto tanto tesão e quando olho pro céu que mostra a lua crescente minha perferida percebo que o tempo é agora e me sinto livre pra correr pra perto rir de dentro viver pra frente e se te olho dá um arrepio e penso em ir correndo e beijar a sua boca e repetir você é lindo demais porque é verdade e te trazer aqui pra dentro pra me ouvir dizer pra você como foi que eu esperei tanto tempo pra falar com essa voz louca me come querido porque é isso que eu quero que você faça vai fundo e então ouço o que você me diz e viro e faço o que você pediu porque é assim que eu gosto também acho que eu te disse parece que a gente é bicho tudo tão apertado e bonito e real e eu tenho vontade de gritar porque parece que você entende o que é viver o momento de sentir tua carne entrando na minha e que é de verdade não é sonho e eu gosto tanto de me sentir e te sentir e se eu não estivesse tão bêbada talvez eu sentisse meus movimentos mais sincronizados com os meus pensamentos que deslizam de leve o meu corpo sobre o seu e eu rio tanto porque é isso e eu não consigo dizer se é só amor sexo ou paixão e não importa porque depois dos sonhos penso em fazer tudo de novo porque você é tão legal e eu tô gostando tanto tanto tanto de você e porque eu sou mesmo meio insaciável e adoro essa coisa de dormir junto e sem querer começar mais uma vez a te provocar e não ligar ao depois ver que todo mundo estava olhando e dessa vez sim eu era uma louca despreocupada e talvez irresponsável e só porque eu tava era vivendo o que eu queria

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um dia de amor livre.

Sem que nada tivesse sido falado eu sabia que qualquer toque seria demais para ficar depois sem te tocar. No escuro, você tão perto assim de mim, a tua pele pedia pra que eu te tocasse, e porque a minha pedia o mesmo, o dorso da minha mão passou de leve pela tua que esperava qualquer sinal. Então começou o que eu queria: nossas mãos se tocando, se acariciando, se entrelaçando, refletindo vontades do corpo inteiro. E houve a hora em que as mãos não foram suficientes mais, nem duas, nem quatro, nem os braços, nem os olhos, nem. E os corpos inteiros,  se encontraram enfim.

Num ritmo que era só deles. Num momento mais-que-perfeito.

O coração, desde o início estava em paz, mas respondia a cada estímulo da pele como se ele próprio estivesse sendo tocado e dilacerado. Uma paz, uma euforia, quisera as drogas me fizessem sentir tão bem: é mais fácil tê-las do que a você. Meu corpo quente da sede  do teu, o calor dos teus toques que passavam do meu pescoço como ondas de arrepio e prazer para o corpo todo. Teus beijos descarregavam em mim uma energia latejante e calada que guiava nossos corpos por movimentos sinuosos e insanos.

Nossos corpos pulsando amor e calma.

E saciados, permaneceram juntos naquela mesma melodia, mas não pararam de se tocar nem quando a noite veio trazer para cada um sonos distintos, mas tranquilos, os dois. A luz do dia foi que trouxe o fim daquilo que para mim era apenas o começo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A três.

Dormia imaginando o dia em que seríamos só nós três. Nossas bocas pediam aos céus pelo mesmo homem e teu choro lamentava por aquilo que eu já tinha: o amor dele, que eu dividiria contigo, porque a ti também eu amava. E ele também, tenho certeza, mas naquele tempo as teorias inventadas, o certo e o errado, as ideologias, ainda eram muito fortes e por isso ele não nos quis todos juntos. Negava sempre com palavras, mas só para mim se entregava com a mesma boca que as dizia. Mas ele nunca aceitaria dividir o meu amor contigo, porque o que eu representava para ele era sagrado demais, ainda que insistíssemos que assim como aquelas idéias, essa noção do sagrado também havia sido inventada. Porque tu me disseste, e eu acreditei, que Deus era energia, era sexo, era liberdade, era paixão. E isso era tudo o que nós dois queríamos a três. Depois das tardes em que tu me seduzias, nas noites eu não tinha paz. Eram cheias de sonhos loucos, vermelhos, quentes. Tudo de terra e fogo. E me sentia viva,  sentia prazer, sentia. E queria que todo esse prazer fosse causado por vocês juntos, meus homens. Imaginava nossos corpos juntos na mesma intenção, apertados um contra os outros. Um círculo, um ciclo, que nunca seria possível a dois, nem sós. E com as minhas mãos no meu corpo eu imaginava as tuas, mais magras e mais fortes, as dele. E nossas mãos me tocavam, tocavam fundo. E me sentia mulher, me sentia feliz, nunca em paz. Mas paz haveria quando estivéssemos juntos. Nunca houve paz. E ainda hoje eu durmo imaginando o dia em que seremos nós três.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sobre sentir bem mais que amor.

Quando esquecemos que tinhamos que cumprir um ritual, pular etapas, negligenciar sentimentos indefinidos e corresponder de jeitos pré-determinados, tudo aconteceu tão naturalmente, exatamente como se nada precisasse ser dito e sim sentido apenas.  O amor sentido no peito, nas veias, na alma. O corpo todo pulsando, sentindo que recebia e dava prazer, troca perfeita. Os nossos corpos relaxados, a respiração ora parava, ora queria engolir todo o ar. O limiar entre a tranquilidade e a euforia, a calma e o desespero, o silêncio e os gritos, a pausa e o movimento, a lucidez e loucura: só então fui entender o que significava equilíbrio. Esqueci os objetivos, os porquês, os antes. Senti você, sem esperar nada, sem querer mais nada, sem prever decepções. E porque houvesse conexões mentais espirituais energéticas psicológicas físicas cósmicas alinhadas em uma esfera de luz invisível ao nosso redor, pudemos sentir o tempo parar e os nossos corpos mais leves e uma felicidade louca e as nossas mentes em transe.  O início do que seria uma vida inteira de amor e comunhão e simplicidade e prazer.