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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Suspenso.

E o tempo, que não passa?
O sono que não chega.
O amor que não basta.

Tudo parado: lá fora e aqui dentro.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Seja simples.

Se tudo está tão difícil é porque provavelmente as pessoas inventaram coisas [chatas] demais. Tudo deveria ser simples.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Expectativas.

Já está tarde, deveria descansar, dormir, porque ainda esta semana os dias vão deixar de ser cheios de expectativas e coisas inusitadas para enquadrarem-se novamente nos horários da velha rotina. Há tanto do que reclamar, mas ela deixa o tédio e muitas decepções longe do alcance da mente, que somente preocupa-se com prazos a serem cumpridos. Quando não há obrigação também não há disciplina para fazer tudo que há de vontade, acaba o tempo passando e os dias vão sendo levados sem perceber. E são tantas as coisas que se tem vontade de fazer. Ler, desenhar, pintar, plantar e dormir. Quero mesmo descansar, para sentir-me disposta, saudável, bonita. Apesar de cansada, sinto-me muito feliz e com certo tipo de espírito jovem. Estou com um brilho nos olhos, não sei se é perceptível, mas estou com vontade de viver, de me livrar do tédio que me corrói, da preguiça, dos vícios todos, dos outros defeitos. Estou com sede de vida e de mudança.

E há sempre um quê de novo.

É preciso viver. Ainda que a rotina se estabeleça, cansativa, monótona, desinteressante, é possível transformá-la em algo de inovação, pois sempre há algo novo. Sempre há um livro que não se leu ainda, um disco que ainda não se escutou, um lugar que não se foi, algo que não se tentou. E não digo no mundo, este ser inalcançável, longinquo. Digo facilmente acessível: um livro velho jogado em casa, um disco do cara do quarto ao lado, a praia da cidade distante. Sempre há. Sempre reclamo muito, do tédio, da monotonia, da solidão. Do tédio não me livro. E tem tantos livros neste quarto que eu gostaria de ler. Falta de tempo? Quantos e quantos livros comecei e a ler e parei antes da metade? Às vezes dá vontade de não dormir nunca, pra ver se dá tempo de ler tudo, devorar tudo numa noite. Mas os livros não lidos, histórias, informações pela metade, ficam me incomodando, deixando ainda mais desconfortável a sensação de tédio com a de atividades não terminadas. Tem sido minha maior meta: ler. Ler, entender, rabiscar os livros, e tenho conseguido, durante vinte páginas consecutivas. Depois disso os latidos dos cães, os desenhos das letras, os fragmentos de poeira na luz se tornam mais interessantes. Acho que é minha natureza o tédio. Mas sobre a inovação, digo: sempre há mesmo algo de novo. O meu medo é saber que existem tantas novas coisas e antigas também, desconhecidas, indecifradas, mas que lamento e temo: não me interessam ou sensibilizam.