Não que eu não soubesse o efeito que isso podia me causar, mas queria que me fizesse querer viver mais, não nunca mais. E pensar que algo tão natural, simples, pudesse me mostrar a real essência do que o meu ser não era. Mas então me tornar mau. Colher as ervas, pegar a água, preparar o chá. Simples e de consequências sem volta. Eu só queria enxergar mais do que meus olhos foram feitos para ver. Pensando que ver me faria mudar, para melhor, não para agora. Mas ver a aura das criaturas não iluminava também o meu ser, só evidenciava a escuridão opaca na qual eu me encontrava. O que eu não sabia era que ver a luz significava ver também a não-luz, e eu não estava preparado pra me livrar daquilo que impedia que a minha luz brilhasse. E também não aguentava pensar em mim como um ser tão egoísta, pequeno e ruim. E pior do que pensar era que agora, eu podia ver a distância que eu estava deles. Havia momentos de maior desespero, quando eu gritava e chorava sem parar, me sentindo sujo, feio e sozinho demais. Por que não havia ninguém como eu? Acho que passei a um estado diferente, estava ainda no mesmo lugar e era o mesmo, mas só via agora a minha nova realidade, em meio aqueles que há muito tempo, tanto tempo que nem se lembram mais, embora saibam, eram como eu. Enquanto não passava o efeito, e acho que durou meses, eu ficava pensando na minha natureza. E cheguei a pensar que nunca poderia ser como eles. Me via tão longe, mas ainda havia em mim algo que não era totalmente ruim, algo de esperança. Pensava que o tempo me faria sair dali, e que quando isso acontecesse, voltaria a ser como eu era, não importa quão bom ou mau, porque aqueles que estariam comigo eram tão cinzas quanto eu. E então eu voltei, um dia, o mesmo que tinha ido. Mas acho que pensei demais, vi coisas demais, me tornei demais algo que eu não era, ou era e não sabia. Não me transformaria no que eu queria e se sim, sabia que pra isso só havia um caminho: ser, aceitar minha natureza. Mas não quero, me canso, desisto. Acho que o único jeito de me livrar desse sentimento, de querer e não querer ao mesmo tempo nenhuma natureza que não seja minha não chega a ser uma opção, porque a minha realidade me faz refém de mim, mas se for para tentar, então quero tentar não ser, nunca ser, não ser nada, nada mais.
sábado, 3 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Amar e conhecer o outro depois de si mesmo.
Nossa estabilidade é incerta
Pelo próprio motivo de haver
Certezas demais e seguro ser
Tudo que um só no outro espera.
Amor demais, dizem que mata.
Mata o eu que precisa existir
E o você que eu preciso ver
Forte em si mesmo não em mim.
Talvez seja preciso parar,
Tirar um tempo pra ser só,
Assumir riscos, ainda que a dor,
E ser o seu amor mais íntimo.
Então se deixe partir.
Vive um tempo em si, se conhece e ama.
Depois volta, depois mostra
Que encontrou sozinho sua paz.
E depois que volta, não pára.
Ainda se renova e nasce e eu faço o mesmo.
E se te vejo de um novo jeito
Os dias de antes não voltam mais.
E dá amor, que o amor cresce
No universo de nós três: eu, você, você e eu.
Que se um esquece, o outro lembra:
Ah, nós dois nos amamos tanto!
Palavras-chave:
amor,
autoconhecimento,
poesia,
relacionamentos
terça-feira, 30 de março de 2010
Dê-lhe o presente que quer viver.
Uma pessoa que gosta de conhecer outras pessoas tão interessantes, bonitas, melancólicas, inocentes, entediadas e divertidas quanto ela. Sonha em um dia ser feliz em seu mundinho, o universo imaginário repleto de hortas, animais, solidariedade, artes, liberdade, pessoas, amor. Enquanto isso, ocupa-se com os trabalhos superficiais da faculdade; tenta lidar com a falta de tempo pra dormir; passa o tempo ouvindo música, pensando em ser melhor, tentando produzir algo bonito, conversando com as pessoas, lendo coisas aleatórias, querendo abandornar tudo e ir logo para aquele lugar perfeito que não existe. Mas a verdade é que as suas plantas morreram de verdade, seus livros não são tão interessantes, ela fica triste boa parte do seu tempo, não gosta de quase nada que tem que fazer e poucas são as coisas que a alegram verdadeiramente e as pessoas com as quais realmente gosta de estar, mas ainda existem. Por isso se lembra que é preciso viver, continuar, tentar, embora sua única vontade seja dormir dormir dormir e nem tão cedo acordar.
"Se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida." Clarice Lispector"Existe coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé nenhuma?"
Caio F.
Caio F.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Porque eu te conheci e te desejei.
A minha pele deseja desde o início o contato com a tua. As tuas mãos tocando o meu ombro no meio das conversas me provocam de um jeito louco e eu quero deixar que me toque inteira. Espero o fim dos assuntos ansiosa pela hora da despedida, quando há desculpa pra te tocar e te dizer, sem querer, sem dizer, aquilo que sinto. O abraço parece mostrar tudo o que eu tentava esconder. Tenho medo que tão perto tu possas perceber que o meu coração está acelerado e que comecei a tremer. É que eu esperei tanto por esse momento. E não dá vontade de te soltar, está tão bom assim e está demorando mais do que o normal, será que as pessoas vão perceber? É tão bom sentir assim. Você está tão cheiroso, sua pele é tão boa. Não sei porque, porque você? Queria ficar aqui por mais uma hora. Mas te solto, embora não queira. E dá vontade de voltar, não largar o teu braço, me abraça mais também, ou pelo menos deixa eu colocar a cabeça no teu ombro assim, como os gatos que falamos. Passou tão rápido, já acabou? Será que eu posso te abraçar de novo? Melhor não, eu tenho que ir. Sair logo de perto de ti, antes que eu me entregue com qualquer olhar. Me sinto tão medíocre quando tento evitar teu olhar, mas é porque se eu te olhar nos olhos... ah, se eu olhar nos teus olhos eu não vou conseguir mentir mais e eu vou querer pedir me abraça de novo, me leva pra tua casa onde eu me sinto em casa, faz tudo que eu quero que faça, me toca mais fundo, me queira também. E quando eu penso que não devo, porque não há certeza no meu sentir, fica tarde pra pensar que a condição é não ter certezas, não se envolver, te deixar ir. Então sem te olhar vou embora. Tento levar viva essa lembrança comigo, nosso abraço, tua pele, tuas palavras. Tudo podia ser tão bonito. Tento ser racional, eu já tenho compromisso e um amor, embora quisesse infinitos. Mas sem querer quero te ver de novo e sem ninguém ver quero te tocar mais e de uma vez olhar nos teus olhos e ver se depois eu consigo ter paz.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Sobre sentir bem mais que amor.
Quando esquecemos que tinhamos que cumprir um ritual, pular etapas, negligenciar sentimentos indefinidos e corresponder de jeitos pré-determinados, tudo aconteceu tão naturalmente, exatamente como se nada precisasse ser dito e sim sentido apenas. O amor sentido no peito, nas veias, na alma. O corpo todo pulsando, sentindo que recebia e dava prazer, troca perfeita. Os nossos corpos relaxados, a respiração ora parava, ora queria engolir todo o ar. O limiar entre a tranquilidade e a euforia, a calma e o desespero, o silêncio e os gritos, a pausa e o movimento, a lucidez e loucura: só então fui entender o que significava equilíbrio. Esqueci os objetivos, os porquês, os antes. Senti você, sem esperar nada, sem querer mais nada, sem prever decepções. E porque houvesse conexões mentais espirituais energéticas psicológicas físicas cósmicas alinhadas em uma esfera de luz invisível ao nosso redor, pudemos sentir o tempo parar e os nossos corpos mais leves e uma felicidade louca e as nossas mentes em transe. O início do que seria uma vida inteira de amor e comunhão e simplicidade e prazer.
domingo, 21 de março de 2010
definições.
o que é que define uma pessoa? são as roupas que veste? as coisas que ama? as músicas que ouve? os dias que vive? as cores que gosta? os lugares que passa? as pessoas que convive? o tempo que gasta? as atmosferas que transforma? as dificuldades que tem? os deuses que acredita? os bichos que gosta? viagens que faz? as comidas que come? os filhos que cria? a água que bebe? as emoções que sente? os sonhos que tem? as ervas que fuma? os livros que lê? o bem que deseja? as experiências que leva? o estado que transpassa? as loucuras que pensa? as idéias que acredita? os momentos que chora? o mundo que vê? o corpo que tem? os desenhos que faz? as coisas que cria? as escolhas que faz? as crenças que tem? os sentimentos que emana? a mente que transcende? as mãos que segura? as utopias que deseja? os amores que vive? perguntas e respostas, nunca definições, nunca limitações: não se defina e sua alma não terá limites!
quarta-feira, 17 de março de 2010
Bons ventos.
Tomara os ventos da mudança levem embora e transformem tudo o que aqui há. Deixem só sementes boas para os solos férteis de sabedoria e consciência e amor. Soprem logo bons ventos, ninguém aguenta mais esse mundo. Com tantos frutos podres, pobres de vida, somos nós. Novos dias, novos tempos. Mais vida, cor e luz. Ah, tomara os ventos da mudança!
Palavras-chave:
natureza,
poesia,
transformações,
vida
Jovens de luz.
Jovens pensam em fazer algo além de viver apenas por viver, pensam em fazer algo pelas outras pessoas e pelo planeta. Paz! Luz! Gaia! Dançam em círculos, mãos dadas, pés descalços, cabelos ao vento. O pensamento elevado aos deuses que querem ser. Entoam lindos cânticos, choram de felicidade, riem de alegria. O contato com a terra, de volta às origens. A natureza sempre presente. A relação das pessoas sempre mais forte, pessoas que se olham nos olhos, se tocam além da pele, se amam. E amam os rios, as matas, os bichos. Fazem tudo para que as coisas mais naturais e simples não percam jamais sua importância. Sabem que são filhos da terra, pequenas sementes germinadas com os fluidos mais especiais. E trabalham, trabalham muito. Falam de plantar, cuidar, proteger, amar. Acordam com a luz do sol, felizes e agradecidos por estarem ali, dormem com tranquilidade sonos de paz e saúde por saberem fazer a cada dia um mundo melhor. Para si mesmos, para os outros todos, para ninguém. Fazem com que as pequenas grandes coisas sejam preservadas. Que jovens com estes pensamentos de vida! Jovens de espírito, almas furta-cor. Sou um deles, pensei. Eu quero ser um destes jovens.
"Jovem! Jovem, desbravador de novos mares, depende só de teus cantares o renascer de um mundo bom, bem melhor. Jovem, de sangue novo e peito aberto, será traçado um rumo certo: guiaremos o mundo ao amor! E quando amanhecer, num sol de primavera, desvenda a nova era em mim e em você!"
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