Não sei dizer se hoje consigo pensar em você sem dor. Você me fez criar tantas esperanças, me fez ver um mundo completamente novo pra depois eu descobrir que você não queria dividir seus sonhos comigo e que eu não fazia parte dos seus planos, embora dissesse que sim. Embora não me quisesse, me queria por perto. Todas as tardes você me seduzia com bach, pimenta-do-reino, alecrim, incenso, vinho, flores do campo. Sua poesia ficava dias e dias na minha cabeça, assim como o jeito que você falava, os movimentos do seu corpo, o seu cheiro. Antes de você eu tinha um amor perfeito, todas as certezas do mundo. Depois de você eu tinha um mar revolto, todos os questionamentos possíveis e sentimentos antes i-ni-ma-gi-ná-ve-is. Você me fez ver e mudar a minha vida. Você sabia que eu estava ali ao seu lado e era onde eu pretendia ficar. Achava que com você nada seria igual, só as coisas boas. E então você pôde usar a minha devoção toda pra o que quisesse. Dividiu comigo seu pranto, sua insônia, seu desespero. E eu me perguntava: quando aquilo seria substituído pela calmaria? Me fez imaginar um mundo que acreditei ser perfeito, porque o mau tempo passaria. Viveríamos juntos e você não choraria mais. Seríamos felizes, então. Mas nossos corpos nunca chegaram a se tocar. Porque você não queria. Foi então que percebi que nunca passaria a tempestade, porque eu nunca fui pra você o que você era pra mim. Então você se foi. E eu deixei e quis que você se fosse. E você não me levou contigo e não sofreu em ato ou pensamento. E nos momentos de dor, isso foi o que mais senti. Depois disso eu discutia com Deus como você costumava fazer: gritava, chorava e pedia para morrer. E eu fiquei realmente triste, uma tristeza que durou tanto tempo que talvez nunca tenha parado de crescer.
domingo, 14 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Como viver o tempo?
Será que eu sou eu quando eu me mantenho dentro de mim ou quando me liberto ilimitadamente para fora? O meio? O intermédio de coisas externas na minha personalidade, que coisa de entender. Todos me olhando, pensem o que quiserem. Eu estou feliz, descrobri mais coisas em mim. Posso ser assim, ou de outro jeito, pensamentos momentâneos, sou que sou. Meu dia, minha noite, determinados por coisas que eu não praticava. Pessoas, quem? Pessoas quaisquer importantes de repente. Bonitas, interessantes, se olhadas de perto. Corpos tão perto do meu, eu deveria fazer alguma coisa? Não quero fazer nada, pra mais, pra menos. Amo, quero alguns. Quero viver esse momento. O momento que escrevo, que como, que bebo. Que quero me entregar de vez. Tantos abraços numa noite, importantes uns. Olhares, beijos, toques. Palavras soltas, queria que mais soltas ainda. Pessoas podem gostar de pessoas, sempre digo. Pessoas. Independente das sete artes, do clima, do sexo, do tempo, do alimento e inclusive das outras pessoas. Pessoas juntas soa uma coisa muito bonita. Queria fazer parte disso. Sozinha não há futuro. Sinto que tenho uma capacidade inerte de amor. Queria fazer o querer todos os dias. Amar, no mais amplo sentido da palavra. Amar Amar Amar Amar. Os dias passam, as pessoas passam e o sentimento. Triste é saber que o tempo também passa.
Palavras-chave:
amor,
autoconhecimento,
reflexões,
tempo,
vida
quarta-feira, 10 de março de 2010
Breve eterno amor.
Muito pouco tempo pra tanto sentimento. Quando perto, uma atmosfera indevassável. Um dia todo mundo precisa voltar: pra longe, pra perto, pra dentro. Você iria e tenho certeza de que não voltaria. Nunca pensei que pensar pudesse causar tanta dor. Imaginar a sua partida fazia lágrimas tristes da saudade antecipada, quando se sabe o inevitável. Um peso enorme no peito, desespero. Era chegada a hora da partida. A despedida, a longa viagem, a dor da morte daquilo que havia. Sentimento ainda mais devastador quando te vi, estava claro que seria a última vez. Os nossos olhares, os nossos corpos se aproximando, as nossas vidas se distanciando para sempre. O último toque estará sempre vivo na minha memória. O jeito como o seu abraço inteiro me envolveu, seu peito e o meu, nossos corpos girando juntos no ar, meu corpo se deixando levar por sua dança, a felicidade que tomou conta de mim, eterno momento num minuto. O último instante, o mais completo de todos. Tive certeza de que aquilo era o mais puro tipo de amor.
Expectativas.
Já está tarde, deveria descansar, dormir, porque ainda esta semana os dias vão deixar de ser cheios de expectativas e coisas inusitadas para enquadrarem-se novamente nos horários da velha rotina. Há tanto do que reclamar, mas ela deixa o tédio e muitas decepções longe do alcance da mente, que somente preocupa-se com prazos a serem cumpridos. Quando não há obrigação também não há disciplina para fazer tudo que há de vontade, acaba o tempo passando e os dias vão sendo levados sem perceber. E são tantas as coisas que se tem vontade de fazer. Ler, desenhar, pintar, plantar e dormir. Quero mesmo descansar, para sentir-me disposta, saudável, bonita. Apesar de cansada, sinto-me muito feliz e com certo tipo de espírito jovem. Estou com um brilho nos olhos, não sei se é perceptível, mas estou com vontade de viver, de me livrar do tédio que me corrói, da preguiça, dos vícios todos, dos outros defeitos. Estou com sede de vida e de mudança.
Palavras-chave:
otimismo,
rotina,
tédio,
transformações
E há sempre um quê de novo.
É preciso viver. Ainda que a rotina se estabeleça, cansativa, monótona, desinteressante, é possível transformá-la em algo de inovação, pois sempre há algo novo. Sempre há um livro que não se leu ainda, um disco que ainda não se escutou, um lugar que não se foi, algo que não se tentou. E não digo no mundo, este ser inalcançável, longinquo. Digo facilmente acessível: um livro velho jogado em casa, um disco do cara do quarto ao lado, a praia da cidade distante. Sempre há. Sempre reclamo muito, do tédio, da monotonia, da solidão. Do tédio não me livro. E tem tantos livros neste quarto que eu gostaria de ler. Falta de tempo? Quantos e quantos livros comecei e a ler e parei antes da metade? Às vezes dá vontade de não dormir nunca, pra ver se dá tempo de ler tudo, devorar tudo numa noite. Mas os livros não lidos, histórias, informações pela metade, ficam me incomodando, deixando ainda mais desconfortável a sensação de tédio com a de atividades não terminadas. Tem sido minha maior meta: ler. Ler, entender, rabiscar os livros, e tenho conseguido, durante vinte páginas consecutivas. Depois disso os latidos dos cães, os desenhos das letras, os fragmentos de poeira na luz se tornam mais interessantes. Acho que é minha natureza o tédio. Mas sobre a inovação, digo: sempre há mesmo algo de novo. O meu medo é saber que existem tantas novas coisas e antigas também, desconhecidas, indecifradas, mas que lamento e temo: não me interessam ou sensibilizam.
terça-feira, 9 de março de 2010
Sobre ti, meu amor.
És belo, és sincero, és forte. Teu corpo, minha tranquilidade, minha euforia. É tão macia a tua pele e disso só saberá quem provar do teu abraço apertado, confortante. Os teus olhos, rasgados, tão sinceros, bonitos. Teu cheiro de coelho, bicho livre. Tua mente sensata contrastando com a minha, insana. Nosso futuro é certo. Te quero, e sem precisar esperar vivo todos os dias feliz pela tua presença, satisfeita com tuas mãos nas minhas. Me dá alento, me ama, me entende tanto. Amo-te, és como alimento! Quando juntos, somos um. Minha vida, meu mais sincero amor. Quero estar sempre junto de ti. O lugar que. Estarei sempre junto de ti, aonde! Queria engoli-lo inteiro. Amo-te, meu amigo. Quero sempre esperar por ti e por tudo que entre mim e ti há de vir. Esperes tu também por mim. Minha calma, minha paciência um dia em lugar da loucura. E te amarei, e tudo de belo e simples se resumirá nisso.
domingo, 7 de março de 2010
Viagem de volta em agosto.
Sinto-me abandonada. A menina linda não está aqui, tenho medo de quando ela voltar a relação que começamos a construir tenha se perdido. Fiquei triste quando cheguei. Logo quando eu estava tendo prazer em estar aqui. Durante a viagem vim feliz, achando que voltaria para exatamente aquele mundo que deixei quando me fui. Mas para minha triste surpresa, parece que não é mais o lugar seguro e feliz em que eu me sentira tão bem. Ainda sinto que tenho meu espaço, por menor que seja, meu. Talvez um pouco de solidão seja o preço para se ter mais privacidade e silêncio e tempo só pra si mesmo. Me sinto só. Sei que talvez seja prematuro e exagerado pensar isso, mas acho que a ansiedade não me deixa parar. Senti aquele tédio que vem carregado de um depressivo espírito criativo e tentei usar para alguma coisa: desenhos. Se conseguisse fazer algo bonito, talvez me animasse. Mas nada me ajudou. Continuo até agora com um nó na garganta. Sei que não deveria me deixar afundar neste rio de desespero e medo, que me consomem. Medo de estar sozinha, e ter que esperar sempre por um dia no futuro, em que me sentirei completa e segura em todos os aspectos. Não quero pensar nisso. Quero descansar. Gostaria que ele estivesse aqui comigo. Amo-o muito. Ele é a única pessoa que, quando me sinto assim, tenho certeza: temos um ao outro e, às vezes, isso basta pra que ele me dê esperanças, me salve, me tire do rio.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Quando a vida é desalento.
De repente acorda, passa das dez. Porque dormira tanto? Todos os dias as coisas se repetem. Sono demais, comida demais, drogas demais, sexo demais. A bexiga muito cheia, o corpo quer livrar-se daquelas toxinas malditas que injerira ontem à noite e nas noites anteriores e anteriores ainda. Os olhos muito inchados, sabe que ficam assim sempre que chora e depois dorme, como uma criança. As pernas têm novos hematomas. A cabeça latejante, dói. Porque fizera isto consigo mesma? Todos os dias as coisas se repetem. Problemas demais, estresse demais, tristeza demais, solidão demais. A mente cansada concede ao corpo momentos lascivos de prazer. Prazeres de cama e mesa. E engordando, enchendo-se de bebidas e comprimidos, deixando-se levar para camas desconhecidas, chorando e vomitando toda madrugada sozinha é que percebe não estar bem. Será difícil descobrir do que precisa? Todos os dias as coisas se repetem. Acorda, pensando que quer mudar. Dorme, sem conseguir pensar em nada. Sem nenhuma esperança, às vezes tem certos pensamentos. O seu preferido é que um dia não irá mais ver seus olhos inchados no espelho, sentir dor, arrepender-se ou decepcionar-se com o que fizera nas noites anteriores pois, neste dia não irá acordar.
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